Síndrome de Cotard: Essa condição ultra-rara faz as pessoas acharem que estão mortas

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Em 1882, o neurologista francês Jules Cotard descreveu uma estranha síndrome em que os pacientes insistiam que eles não existiam – independentemente de todas as evidências em contrário.

E não estamos falando sobre essas crises existenciais clichês que muitos de nós experimentamos em algum momento de nossas vidas – pacientes com Síndrome de Cotard acreditam, com toda a sua força, que eles estão mortos ou inexistentes, em um sentido literal.

Síndrome de Cotard
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Também conhecida como ilusão de Cotard, a condição é tão rara que não há estimativas formais sobre o número de pessoas afetadas, e os processos neurológicos por trás dela são mal compreendidos. Mas existem alguns estudos de caso bem documentados.

Como Mademoiselle X veio acreditar que era um zumbi?

Em 1882, uma mulher conhecida na posteridade como “Mademoiselle X” visitou o médico francês Jules Cotard. Reclamava de sentimentos de ansiedade, desespero e um sintoma mais sério: acreditava estar morta. Cotard apelidou sua misteriosa aflição de “o delírio da negação” e partiu para documentar uma das doenças mais raras conhecidas pelo homem: a “síndrome de Cotard” ou “síndrome do cadáver ambulante”.

Pacientes com a síndrome de Cotard frequentemente negam sua própria existência ou a existência de partes de seu corpo; eles podem estar convencidos de que estão apodrecendo, perderam seus órgãos internos ou já morreram.

A morte pode ter devastado o corpo inteiro, ou pode ser confinada a partes específicas do corpo, como era para Mademoiselle X, que acreditava não ter órgãos internos, sistema nervoso ou tronco. A doença é frequentemente precedida ou acompanhada por uma profunda depressão e sensação de desconexão do mundo vivo.

Os pacientes são perfeitamente capazes de ver seu corpo, mas, por não perceberem que vivem, muitas vezes negligenciam seus cuidados e higiene. Aí reside os perigos físicos da doença: apesar de os sofredores da síndrome de Cotard estarem tipicamente em excelente saúde física, é pouco provável que continuem assim.

Mademoiselle X, por exemplo, parecia não ter nenhum problema físico, mas sua convicção de que seu estômago havia morrido a levou a parar de comer, e ela morreu de fome antes que o tratamento psiquiátrico pudesse começar.

Ela também exibiu outro traço comum àqueles com síndrome de Cotard: uma crença em sua própria imortalidade. Pode parecer paradoxal que alguém que acredita estar morto também pense que viverá para sempre – mas, no caso de Mademoiselle X, fazia sentido. Ela acreditava que havia sido amaldiçoada para a condenação eterna, uma morte ambulante.

Zumbis
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Em suma, achava que era um zumbi.

A Síndrome de Cotard no mundo moderno

Mademoiselle X não está sozinha em suas experiências, embora desde 1880, apenas alguns casos reais documentados tenham sido encontrados. Parte da dificuldade é que a doença é frequentemente diagnosticada como outro transtorno mental como a esquizofrenia.

Um estudo de caso de 2008 documentou as experiências da Sra. L, uma mulher filipina de 53 anos que aterrorizou sua família com suas queixas sobre sua própria morte. Ela disse que estava apodrecendo e não suportava o cheiro de sua própria carne. Quando disse a sua família para levá-la ao necrotério, eles ligaram para a ambulância.

Em 1996, um escocês que sofreu uma lesão cerebral em um acidente de moto acreditava que havia morrido durante o processo de recuperação. Quando se mudou com sua mãe para a África do Sul, o calor o convenceu de que ele foi para o inferno.

Esmé Weijun Wang – uma mulher que de repente desenvolveu a síndrome de Cotard em 2013, estava se tornando cada vez mais “desmiolada”, e lentamente perdendo o controle sobre a realidade, relata Meeri Kim no The Washington Post.

Depois de investigarem mais seus sintomas, descobriram que eles começaram durante um voo de Londres para San Francisco cerca de um mês antes, quando Wang perdeu a consciência por quatro horas – um episódio que nem os médicos conseguiram explicar.

Wang tinha certeza de que ela havia morrido naquele voo e que agora existia em algum tipo de conflito entre a vida e a morte.

A Síndrome de Cotard tem cura?

Morte
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A doença tipicamente se apresenta em três etapas. Na primeira, os pacientes ficam ansiosos ou deprimidos. No segundo, florescendo, eles começam a desenvolver a ilusão de que estão mortos. No terceiro e último estágio, o estágio crônico, torna-se quase impossível usar a razão para convencer o paciente de que eles estão, de fato, vivos.

A boa notícia é que há esperança para os que sofrem com a ilusão de Cotard. Como está intimamente relacionado à depressão, os antidepressivos e tratamentos psiquiátricos, incluindo terapia constante, podem ajudar, como a Sra. L, que voltou a acreditar que está viva. Os cientistas esperam que, com mais pesquisas, eles possam continuar descobrindo soluções melhores – e finalmente resolver um pedaço do quebra-cabeça que é o cérebro humano. [HealthLine, Scielo, ScienceAlert]

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