A história de Alan Turing, o “pai da computação” que salvou milhares de vidas durante a Segunda Guerra Mundial

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Desde meados de 1980 e 1990, a popularização dos computadores cresceu de forma extrema, até chegarmos ao ponto em que praticamente toda a nossa vida passa, de alguma forma, por computadores. Mas se hoje podemos depender destas máquinas para muitas atividades do nosso dia a dia, devemos grande parte disso a um homem inglês chamado Alan Turing.

Nascido em Londres em 23 de junho de 1912, Turing é conhecido como o “pai da computação” devido a seus esforços dentro da até então pouco desenvolvido área da ciência da computação. Graduado em matemática aos 24 anos, o jovem Turing foi capaz de desenvolver uma máquina que conseguia manipular de forma automática uma série de símbolos com regras próprias.

Alan Turing
Retrato do jovem Alan Turing, aos 16 anos de idade. | Wikicommons

Por conta de seu destaque na área da computação, Turing fora contratado pela inteligência britânica durante a Segunda Guerra Mundial. Junto com uma equipe de mentes notórias dentro do campo computacional, Alan Turing recebeu o desafio de ajudar as Forças Britânicas a decifrar um sistema de códigos e criptografias utilizadas pelo Exército Nazista, conhecido como “Enigma”. Todos os dias, a Enigma utilizava um código diferente para criptografar as mensagens enviadas (normalmente por código morse) para suas tropas.

Fotografia da máquina alemã Enigma, utilizada durante a Segunda Guerra Mundial. | Wikicommons

Durante muito tempo, Turing e sua equipe tentaram decifrar os códigos alemães durante o curso de 24 horas, até que mais uma vez o código fosse alterado. Obviamente, não obtiveram êxito nesta estratégia, já que faltava tempo hábil para conseguir penetrar no complexo sistema criptográfico empenhado pelas forças alemãs. Foi então que entrou em ação a máquina conhecida como “Bombe”.

Tal equipamento, que somava características mecânicas e elétricas, foi capaz de, diariamente, executar operações computacionais que permitiam aos operadores decifrar o código utilizado pelos nazistas. Desta forma, replicando as máquinas em diversas unidades, as Forças Britânicas conseguiram interceptar incontáveis mensagens alemãs, incluindo estratégias de combate e ordens de ataque a determinados pontos. Isso, sem sombra de dúvidas, concedeu aos ingleses uma posição de vantagem em relação aos oponentes.

Estima-se, inclusive, que a máquina criada por Turing tenha sido responsável por terminar com a Segunda Guerra Mundial pelo menos um ano antes do que deveria acontecer sem a sua participação. Com isso, incontáveis vidas salvas também podem ser creditadas ao jovem inglês.

Perseguição e morte.

Mesmo tendo sido responsável por abreviar a Segunda Guerra Mundial e poupar incontáveis vidas, Alan Turing foi vítima de uma perseguição em seu próprio país que acabou levando-o à morte. Homossexual declarado, Turing fora denunciado perante a lei britânica da época, que condenava a homossexualidade. Por conta das acusações, Turing enfrentou humilhações públicas, foi impedido de manter seus estudos e fora, também, cruelmente submetido a processos de castração química.

O procedimento químico à base estrogênio fez com que o cientista desenvolvesse uma série de limitações físicas, que minaram definitivamente com a sua auto-estima e qualidade de vida.

Veneno
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No dia 8 de junho de 1954, um dos homens responsáveis por ajudar Turing no seu dia a dia encontrou o homem morte em sua residência. Em exames realizados após a sua forte, foi constatado o envenenamento por cianeto, o que levou muitos a acreditarem que Alan Turing, um dos homens mais importantes da história da computação, cometera suicídio.

Por outro lado, há quem acredite (e aqui está incluída a mãe do cientista) que o envenenamento ocorreu de forma acidental. É sabido que Turing armazenava uma série de produtos químicos em sua residência, que eram utilizados em uma série de testes e experimentos químicos. Por isso, sua mãe argumenta que o filho provavelmente contaminou-se de maneira acidental.

Uma maçã, encontrada próxima ao corpo já sem vida de Alan Turing é encarada potencialmente como o vetor da contaminação. Infelizmente, a fruta não fora testada quanto à presença do cianeto.

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